TRANSOPHIA

“Transophia”, de Pedro Olaia, traz direção e visualidade de Nando Lima e pesquisa musical e operação de som de Dudu Lobato. Olaia traz à tona a personagem Sophia, uma drag criada por ele, muito antes de pensar a se envolver com o universo da performance. Sophia nasce nas ruas - Aos 36 anos, Pedro Olaia, formado em engenharia elétrica, hoje, exerce o ofício de artista multimídia, realizando trabalhos independentes construídos coletivamente.

 

Em 1999, ainda com 21 anos, andava a noite pelos guetos GLBT's de Belém e sem ter conhecimento de teatro construiu sua primeira personagem, Sophia Mezzo, uma drag mezzo uomo mezzo Donna, que vem protagonizando várias de suas performances, sempre realizadas na rua.Sophia ficou “esquecida” durante alguns anos até ressurgir, dentro de uma linguagem mais específica da performance. Desta forma, sua primeira aparição nas ruas como a drag performática de Olaia, foi em 2010, quando o artista completava 33 anos. Contando com a ajuda de amigos artistas, no dia de seu aniversário, Olaia realiza uma ação no centro antigo de Belém, que iniciou na Escadinha, atravessou a Estação das Docas, culminando no Ver-o-Peso.

 

Sophia é uma personagem andrógena. Ao misturar uma série de referencias em sua concepção, Olaia traz para o corpo da drag a tecnologia desconstruída. No cenário, um tablado em forma quadrada que pode lembrar um quarto ou um camarim, a drag se vê rodeada de fragmentos de HDs e outras peças de computador, que vão sendo gradativamente agregadas em seu corpo, proporcionando ao público, uma visão cada vez mais onírica.

 

Da rua ao Reator - As incursões de Sophia, até então, vinham sendo feitas nas ruas. É a primeira vez que a personagem é trazida para dentro de espaço para vivenciar uma forma mais elaborada do ponto de vista técnica. “Há uma diferença sim em fazer a Sophia dentro do Reator. Personagem de rua é outra coisa, você tem que fazer tudo grande e exagerado, aqui dentro tem algo mais intimista, próximo das pessoas, a atenção está toda nela, não tem nada externo. Então, muda a ambientação, a plasticidade. É como se fosse um quadro sendo pintado, com a luz e a maquiagem desenhando este corpo. Na rua é tudo mais cru”, comenta o artista.

 

“Transophia” mantém a discussão mais presente no trabalho de Olaia, que é a crítica ao consumo e o olhar voltado para a reutilização de materiais diversos, e desta vez mais enfaticamente, o lixo tecnológico que consumimos.“Reencontrei o Nando Lima, ano passado, e disse a ele que eu queria fazer algo agregando a tecnologia na performance. Já vinha desmontando computadores, impressoras velhos e descobrindo objetos para construir um novo corpo. Este ano nos unimos para realizar isso”, explica Olaia.

 

Parceria - A parceria com Nando Lima surge em 2006, no espetáculo Frozen. Em 2008 e 2010, trabalha com ele em duas edições do Festival Territórios de Teatro e atualmente desenvolve mais uma parceria, que segue firme, trazendo à público a Transophia.O espetáculo desnuda ou veste o universo drag, ao mesmo tempo em que relaciona este processo à questão do lixo tecnológico, o consumo excessivo de tecnologia.

 

“Transophia” coloca em cheque uma Amazônia que não tem acesso à mesma tecnologia disponível na Europa. “Aqui já consumimos a sucata deles. Por isso no espetáculo há muito da truquenologia, da gambiarra, do reuso de equipamentos e da tecnologia do possível. Tudo isso está conceituado no me trabalho”, finaliza o artista.

 

Pedro Olaia possui performances, videoperformances e outros vídeos e ações imersivas na rua que normalmente discutem as relações humanas com o consumismo, o corpo e o meio ambiente. O primeiro trabalho em teatro, no ano de 2006, foi realizado com o Usina Contemporânea de Teatro, mas foi ao conhecer o artista Nando Lima, em 2006, que Olaia deu início a uma nova etapa desta trajetória.

 

Naquele ano monta com ele o espetáculo Frozen. Em 2008 e 2010, também com Nando Lima, Olaia trabalha em duas edições do Festival Territórios de Teatro. Atualmente, a parceria, que segue firme, traz à público a Transophia.

 

Mais sobre Pedro Olaia – Depois de concluir Engenharia Elétrica, em 2001, Pedro Olaia entra para a Escola de teatro e Dança da UFPA, e já em 2002 participou de seu primeiro espetáculo de teatro: A-MOR-TE-MOR. Mas ainda não era o caminho que ele dois anos depois encontraria para trilhar. Em 2004, depois de participar do I Encontro de Performance e Performers do Pará, organizado pela professora Karine Jansen, ele apresentou na rua, a sua primeira performance: Barato é aqui! O trabalho em 2006 foi levado para Virória-ES em um encontro independente de intervenção urbana organizado pelo coletivo Entretantos.

 

No ano seguinte (2007), juntamente com amigos, ele forma o coletivo arRUAssa e organiza o primeiro evento deste coletivo na praça do Carmo, onde novamente apresenta a performance Barato é Aqui! Já em 2009, junto com a rede [aparelho], Pedro Olaia registra, edita e publica vídeos do Carnaval de Belém, e soma com coletivo em outras ações na rua, utilizando a performance como táticas de guerrilha contra o sistema dominante.
 

Não parou mais.Entre seus trabalhos em performance, indo da atualidade ao início de sua trajetória, Pedro Olaia destaca, em 2013: “Depilei-te”, “Sophia Christi: Louvores em Tons de Rosa”, O Segunda Égua: Sarau do Corpo Poelytico, “Cuidado C'an-dor que o santo é de lixo: O Nascimento da Nossa Senhora do Bom Lixo”. Em 2012, ele fez “Trava Carne: O Pato do Cirio”, dentro da programação do Segunda Égua, "Primeira Égua: O Enforcamento", “Índio Vai A Brasília Pra Fechar Negócios”, “O Canto”, videoperformance no Sitio Brilho Verde – Colares.

 

Em 2010, realizou De-leite, onde ressurgiu com a drag Sophia e O Canto da Vaca (Café com Direitos – SDDH). Em 2009, fez “Ele Fal(h)ou” (Forum Social Mundial, Belém, 2009) e em 2006, “Barato é Aqui”(multipliCIDADE, Vitória).

 (texto de Luciana Medeiros)

 

 

Performer: Pedro Olaia

Operação de Som: Dudu Lobato

Direção, Operação de vídeo, Luz e câmera : Nando Lima

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